segunda-feira, janeiro 8

Artigo Blogs & Moda "inspira" matéria na Revista Profashional - Edição 46 - Mundo Fashion A Influência do Blogs



Eu, Adriana Amaral e Josiany Vieira, apresentamos o artigo Blogs & Moda - efemeridade, individualismo e multiplicidade na Web, no VII Intercom SUl Simpósio de Pesquisa e Comunicação, 2006 em Curitiba na Universidade Federal do Paraná, está publicado na p. 103. No X Fórum da Moda, realizado no Crystal Fashion em outubro, reencontrei a bahiana Sandra Teschner (amiga de eventos e virtual rss) e comentei sobre o artigo, ela adorou e publicou (algumas partes) na Revista Profashional (foto). Segue abaixo o artigo completo.
Blogs & Moda – efemeridade, individualismo e multiplicidade na web.
Adriana Amaral, Aletéia Ferreira e Josiany Vieira (UTP)


Resumo:

O presente artigo tem como objeto de estudo o fenômeno dos blogs de moda. Os blogs tem sido estudados no contexto da pesquisa em comunicação e cibercultura brasileira em suas relações com a subjetividade por Sibilia (2003); Bruno (2004), Amaral e Quadros, (2006); com as redes sociais por Recuero (2003, 2005); o jornalismo por Palácios (2004), Quadros (2005), e alguns outros autores. A proposta desse artigo é a de ver uma faceta ainda não estudada dos diários virtuais: a de sua complexa relação com o sistema da moda a partir das informações que são disponibilizadas na rede pelos blogueiros que se dedicam exclusivamente ao assunto. Pretendemos traçar um perfil dos blogs de moda, a partir da escolha da mesma enquanto um tema subjetivo e contemporâneo.

Palavras-chaves: comunicação; cibercultura; blogs; moda


Abstract
The present article has as study object the phenomenon of blogs of fashion. Blogs have been studied in the context of the research in communication and Brazilian cyberculture on its relations with the subjectivity for Sibilia (2003); Bruno (2004), Amaral and Quadros, (2006); with the social nets for Recuero (2003, 2005); the journalism for Palácios (2004), Quadros (2005), and some other authors. The proposal of this article is to look into one facet still not studied of the virtual diaries: of its complex relation with the fashion system from the information that are availably in the net for the blog users who dedicate themselves exclusively to the subject. We intend to trace a profile of blogs of fashion, from the choice of it while a subjective and contemporary subject.

keywords: communication; cyberculture; blogs; fashion

Blogs e moda – uma pequena introdução

Nosso principal objetivo é fazer um estudo e compor uma tipologia dos principais blogs de moda brasileiros e dos diferentes estilos e sistemas de comunicação e de informação sobre moda encontrado neles. Uma hipótese que se apresenta é a de que as mesmas características do sistema da Moda como efemeridade, individualismo (Lipovetsky, 1989) e multiplicidade (Mesquita, 2004) são reforçadas nos blogs estudados, principalmente a partir de uma análise dos “blogs de moda abandonados”.

1. Weblogs – de moda adolescente à popularização
Os weblogs estão cada vez mais sendo utilizados pelos usuários da Internet, para as mais distintas finalidades, passando por assuntos como economia, vida pessoal e moda. Essa afirmação pode ser observada no número de páginas criadas. No mundo existiam 30 milhões de blogs até o mês de junho de 2005, segundo dados da Consultoria Americana Perseus Development Corp. Já no Brasil no mês de abril 7 milhões de brasileiros ou 60% dos internautas do país visitaram um blog, de acordo com informações do Ibope/NetRatings fornecida pela Revista Veja em matéria titulada “Os blogs não são mais coisa de adolescentes”.
A expressão “web log” surgiu nos Estados Unidos em 1997, quando o norte-americano Jorn Barger criou o nome para descrever o processo de registro na Internet. Em 1999, dois anos depois, o termo foi utilizado pela primeira vez por Peter Merholz, segundo a enciclopédia grátis Wikipedia3. Nesse mesmo ano eles se proliferaram na rede das redes com a ajuda de softwares de edição de páginas da Internet que contribuíam para uma produção mais dinâmica, fácil e rápida.
Os blogs tornaram-se, então, formas de publicação na Internet de que qualquer pessoa pode facilmente dispor e por meio das quais começa a emitir seu diário pessoal ou informações jornalísticas (Lemos, 2002, p.02); baseado nos princípios de microconteúdo (textos curtos, com as informações relevantes, colocadas de modo padrão) e atualizados freqüentemente (Recuero, 2003, online).

A grande receptividade destes programas, que imediatamente ficaram associados á palavra, surgiu em decorrência de dois fatores: os baixos custos de produção – o serviço era oferecido em muitos casos gratuitamente e sem burocracia e –a facilidade de manuseio – o interessado não precisava mais saber a codificação HTML para publicar. (Araújo, 2004, online)

O blog possui uma estrutura e um layout padrão. Um conjunto de blocos de textos em que a informação mais recente fica acima das anteriores, organizada por data de postagem, nome do autor e número de comentários. Apesar de ser padronizado cada blog é individual e personalizado, ele possui as características de quem o escreve, está inserido na área de interesse desta pessoa e no repertório cultural dela. Ou seja, as informações são colocadas por um indivíduo que quer por meio desta página expressar opiniões, relatos, informações e textos escritos do ponto de vista de alguém (Recuero, 2003, online) ou escrever sobre sua vida privada, sobre suas áreas de interesse pessoais ou sobre outros aspectos da cultura (Lemos, 2002, p.02).
Muitos blogs são utilizados como diários virtuais, que se limitam a relatar o cotidiano da pessoa. Para Sibilia a razão para tal fato é que os diários virtuais surgiram como “vocação exibicionista, para serem vistos e lidos por milhões de olhos alheios nas telas da Rede mundial de computadores” (Sibilia, 2004, online). Apesar de ser maioria esse uso da ferramenta está diminuindo cada vez mais e caindo em descrédito pelos próprios blogueiros – pessoas que escrevem nos blogs – que não vêem mais a utilização dos blogs como diário virtual positivo. “Está imergindo uma nova visão de mundo através de comunidades virtuais com indivíduos que interagem através da rede”, (Domingues, 2002, p.113).
A ferramenta blog está sendo utilizada para outras finalidades como forma de interação entre os internautas e de discussão de temas específicos ou notícias. Muitas classificações já foram elaboradas mas os blogs contemporâneos estão sendo divididos em:

Quadros, 2005. Tipologia criada com base em Scott (2004) e Recuero (2003)

Portanto, pode se dizer, que o blog foi um diário eletrônico criado na Internet e hoje é uma ferramenta que abrange diversas áreas de interesses e classificações.
Na moda, tema estudado neste trabalho, uma grande quantidade de blogs são encontrados e mantidos por adolescentes que aderiam a essa “moda” virtual. A maioria deles são classificados como diários pessoais em que as opiniões emitidas sobre a moda se confundem com os relatos do cotidiano.
Na rede das redes uma centena de blogs são encontrados em sites de busca4 - como o google – e quando são acessados o leitor percebe que muitos deles estão abandonados. O responsável pelo blog deixa de atualizá-lo quando o mesmo não possui comentários como pôde ser observado na pesquisa.
Uma vez que, existem blogs específicos sobre quase tudo (música, cinema, arte, fotografia, jornalismo, poesia, etc) era mais do que natural que a esfera da moda, principalmente por sua ênfase na estética e no visual constituíssem uma boa parte da blogosfera através de suas belas imagens. No entanto, em uma de suas típicas ambigüidades os blogs de moda (na blogosfera brasileira) parecem ocupar pouquíssimo espaço.

2. O sistema da moda e algumas de suas características.

A moda é cercada de ambiguidades a começar com a própria palavra "moda". Duas definições uma francesa e outra inglesa para a etimologia da palavra moda foram encontradas.A palavra moda é originária do Francês mode. É o uso, hábito ou estilo geralmente aceito, variável no tempo e resultante de determinado gosto, idéia, capricho e das interinfluências do meio.
Barnard (2003, p.23) dedica o primeiro capítulo do seu livro Moda e Comunicação, explicando a etimologia da palavra "fashion" moda, que remete ao latim factio, significa fazendo ou fabricando (da língua inglesa a palavra “faction” (facção), até facere, isto é, fazer ou fabricar. Portanto, o sentido original de fashion se refere a atividades, fashion era algo que uma pessoa fazia, diferente de hoje, quando empregamos no sentido de algo que usamos.
A moda que analisaremos faz parte do sistema da moda6, com destaque para os conceitos de efemeridade e individualismo de Lipovetsky e para o conceito de multiplicidade de Mesquita. A moda sai das páginas das revistas, jornais, televisão e invade a rede, chegando até os blogs, nosso objeto de estudo neste paper.

2.1 A Efemeridade na moda

A moda nasceu com a evolução da burguesia ao poder econômico, favorecendo o desejo de reconhecimento social e ao mesmo tempo as crescentes tendências de imitação da nobreza. Para Lipovetsky (1989, p.53) desse duplo movimento de imitação e de distinção nasce a mutabilidade da moda.
Com o progresso da tecnologia podemos acompanhar as mudanças e sermos afetados pelas influências das novidades, através da febre do consumo desenfreado da moda. A rede nos possibilita acompanhar todos os lançamentos das coleções primavera-verão, outono-inverno, no Brasil e no mundo. Temos acesso a fotos, a entrevistas, a cobertura dos principais eventos de moda e aos desfiles dos principais estilistas com suas coleções que muitas vezes chocam, inovam, criam uma efervescência temporal da moda. Facilitando com isso o fenômeno de difusão e das imitações que atinge todas as classes sociais. E que muitas vezes o consumidor dessa moda não tem como fugir desse sistema. Pois, independente da classe social temos acesso a efemeridade da moda e o seu poder de estar presente, nas ruas, nas festas, nas novelas, nas revistas e em destaque na rede com milhões de sites que divulgam o que está e não está na moda.
Para Carli (2002, p.44), "a moda organiza um sistema indissociável de uma única necessidade: a mudança". Para Lipovetsky (1989, p. 33) "o amor pela mudança, influência determinante dos contemporâneos. ... o que implica a depreciação da herença ancestral... o antigo não é considerado venerável e só o presente deve inspirar o respeito ».
A moda orgulha-se do seu tempo presente, o seu sistema gerencia uma grande economia globalizada que gera um contínuo desenvolvimento teconológico principalmente na área textil e gera um imenso consumo no mercado mundial. A moda valoriza o antigo que é fonte de inspiração para muitos estilistas, mas esse antigo sofre influências do presente, essas transformações, releituras fazem parte da efemeridade da moda.

2.2 O individualismo na moda

As roupas, as imagens da moda estimulam o consumidor a se transformar, a criar uma identidade própria e a copiar as imagens prontas que foram criadas por outros sujeitos. No sistema da moda essas ações são constantes e proliferadas pelos meios de comunicação, onde o indivíduo precisa ser diferente, criar a sua identidade e ao mesmo tempo usar o que o sistema impõe.
Lipovetsky (1989, p.18 e 44) reforça dizendo : « a moda é acompanhada de efeitos ambíguos ». «... é preciso ser como os outros e não inteiramente como eles, é preciso seguir a corrente e significar um gosto particular ». Aqui temos o exemplo clássico da moda democrática, podemos ter alguns itens que estão na moda, sendo assim o individuo estará na moda, será um indivíduo participativo do sistema da moda, mas não necessariamente perder ou omitir o seu gosto, o seu estilo ou sua identidade. Lipovetsky (1989, p.47) completa que « o individualismo na moda é a possibilidade reconhecida à unidade individual...de ter poder de iniciativa e de transformação, de mudar a ordem existente, de apropriar-se em pessoa do mérito da novidades ou, mais modestamente, de introduzir elementos de detalhe do seu gosto próprio ».
A moda é ambígua e tem o seu lado dominador, manipulador que atinge o consumidor coletivo, para essa massa que não quer criar uma identidade própria, é mais fácil digerir o que é imposto pela mídia, não importa se a roupa veste bem, se combina com a cor do seu cabelo, com a sua pele, com o seu corpo, o mais simples é absorver e se sentir dentro do sistema da moda o individualismo para esse público não existe. Esse indivíduo não exprime o seu lado criador, a sua liberdade de criar novas identidades, de criar fantasias e acessórios, a moda para ele é o simples de fato de copiar. E esse perfil de consumidor existe em todas as classes as sociais é um indivíduo que não busca criar a sua « identidade pessoal ».
Garcia
[1](2005, p.108), apresenta três modelos psicológicos : Modelos centrado no individualismo: nos anos 80 a moda começa a se configurar como uma busca da individualidade, e a importância de ser « especial » é enfatizada pela comunicação de moda. Modelo centrado na conformidade: influenciar consumidores para adotar ou rejeitar produtos de moda. Modelo de motivação única: pessoas comparam a si próprias com outras procurando por similaridades e diferenças para formar a sua auto-identidade.
Os modelos psicológicos apresentados por Garcia confirmam a ambigüidade citada por Lipovetsky, os consumidores têm necessidades de se sentirem únicos, especiais, querem ser diferentes, mas nem tanto, para não perderam a sua identidade social, dentro grupo ou da classe social da qual fazem parte. No sistema da moda esse consumidor imita, copia com satisfação, desenvolve o seu lado criativo. Para Garcia (2005, p. 107) tal processo de busca de identidade em um contexto social que indica a necessidade de consumo da moda, não é de todo maléfico. A moda cumpre o papel de compreensão do próprio eu, e é instrumento de prazer, culto da fantasia e da novidade.
O consumidor de moda tem liberdade de escolha. Lurie
[2] (1997, p. 50) confirma: a “moda é um discurso livre e um dos privilégios, se não um dos prazeres, de um mundo livre”.

2.3 Multiplicidade na moda

Estamos no século XXI e muitas transformações ocorreram na história e na evolução da Moda Aristocrática denominada por Lipovetsky, onde a moda estaria ligada às hierarquia políticas e sociais. A moda dominada pela Alta-Costura de 1857 a 1950, ocorrendo a ascensão e a consolidação do prêt-à-porter com a diversificação e multiplicação da moda. Ocorrendo a explosão da cultura jovem, a diferenciação das roupas dos adolescentes com a forma de vestir dos seus pais, iniciou o lançamento das coleções, destaque para os criadores, nascendo nessa época os grande nomes e as marcas de luxo que temos hoje.
A multiplicidade da moda está ligada a moda-imagem, a moda na mídia e a moda construída pelas imagens de marketing. Mesquita (2004, p.19-20) diz que: « ... a possibilidade de « multiplicação » da existência, diversificação, o « viver vidas diferentes numa vida só é extremamente sedutora. A moda é, sem dúvida, um precioso instrumento dessa construção. A roupa e as imagens de moda estimulam o sujeito a romper limites identitários, a se metamorfosear. É como se a indústria dissesse todo o tempo: « seja você mesmo, mas... se não conseguir ou se não estiver gostando, estamos aqui, apostos, para ajudá-lo a se modificar, a ser mais parecido com o seu ídolo, a ter aparência diferente, a tentar ser outra pessoa, que talvez lhe agrade mais ».
A multiplicidade das informações de moda são criadas para atingir o maior número de pessoas em todos os lugares do mundo, as mega campanhas de marketing das grandes marcas investem milhões em mídia para atingir o seu público-alvo. Os eventos de moda estão ganhando cada vez mais patrocinadores e a cada ano aumenta a cobertura da mídia impressa, televisiva e on line. Onde o consumidor pode acompanhar os desfiles ao vivo na sua casa pela tv ou pela internet. A velocidade das informações e das imagens de moda são impressionantes e a tendência é o aumento dessa participação do consumidor com o sistema da moda.
Mesquita (2004, p. 50-51) diz que não é somente a idéia de multiplicidade que faz da moda uma vertente significativa da atualidade. Cita outras características que fazem parte do sistema : a simultaneidade - tudo ao mesmo tempo. A desmaterialização – compramos informação, marca e marketing. E a simulação – a mercadoria é vendida como espetáculo um show.
A multiplicidade da moda está no nosso dia-à-dia e consumidor não pode fugir dela, somos bombardeados do « tudo ao mesmo tempo », com revistas, jornais, anúncios na tv, se saímos na rua vemos out-doors, back-lights, vitrines de lojas, navegamos na internet, sempre iremos encontrar anúncios de roupas, sapatos, bolsas, jóias, perfumes, entre outros produtos que fazem parte do sistema da moda.

3. A efemeridade, o individualismo e a multiplicidade dos blogs.

Nesse ponto da pesquisa, nos deparamos com duas relações que se delinearam em nossa investigação: 1) a efemeridade, o individualismo e a multiplicidade que caracterizam a moda também reaparecem, de outra forma como características dos blogs, em especial dos próprios blogs de moda; 2) a relação entre os blogs e a moda, além de uma tendência comportamental, encontra-se principalmente no fato de que a aparente superficialidade da moda e a superficialidade anteriormente atribuída aos blogs (principalmente no domínio do senso comum) aproximam duas esferas aparentemente distintas, mas que, ao mesmo tempo ainda parecem insuficientes (haja vista o número de blogs de moda não atualizados ou abandonados que encontramos em nossas buscas). Talvez, e lançamos aqui uma hipótese a ser observada em estudos posteriores, a aparente superficialidade da moda e dos blogs esconda por trás dos panos e dos bytes uma profundidade social que vai além da aparência e seja de um domínio de uma estética do cotidiano e uma lógica do sensível e do não-racional, como aponta Maffesoli (1999).
Agora vamos entrecruzar um pouco mais aprofundamente tais relações entre blogs e moda, a partir de uma análise de alguns blogs de moda brasileiros:

3.1 A efemeridade nos blogs

A efemeridade nos blogs pesquisados está tanto na facilidade de criar e atualizar os diários on line (através das diversas ferramentas disponíveis como Blogger, Blogger.br, entre outros) através do sistema de postagem (os blogs de moda ativos ou seja os que são atualizados diariamente ou semanalmente, disponibilizam informações a respeito do que está acontecendo no mundo da moda, com os grandes eventos de moda do Brasil e do mundo, mostram fotos, opiniões, críticas). Um outro exemplo de efemeridade dos blogs encontra-se justamente no fato da maioria dos blogs dedicados ao assunto não serem atualizados ou serem abandonados pouco tempo depois de iniciados.

A grande rede mundial numa incessante metamorfose recebe novos servidores, novos conteúdos e novas tecnologias. Simultaneamente, conteúdos existentes desaparecem, deixando apenas pegadas nas memórias daqueles que os conheceram e talvez nos bancos de dados de mecanismos de buscas e sítios que tentam manter alguma história do volátil conteúdo da Web (Yamaoka, 2005, p. 147).

Foram encontrados no UOL Blogs
[3], 485 blogs não atualizados, criados com intuito de falar de moda, dos eventos, se propõem a serem consultores de moda, uns até começaram a escrever algo, mas sem muito sucesso. Isso foi medido através dos comentários ou seja 0 (zero) comentários nos poucos blogs que começaram a escrever algo. Muitos blogs de adolescentes que fazem a maior propaganda que vão escrever, que o blog será indispensável na vida das pessoas, mas não saem da apresentação. O blog Moda Total[4], iniciou com um post e já foi encerrado. Já o caso do Jornalismo de moda[5], ainda contou com alguns posts, mas desde janeiro não é atualizado. No sentido contrário, um dos poucos blogs de moda informativos e que possui atualização mais constante parece ser o Modascópio[6], mas há um fato a ser chamado atenção que este blog está inserido dentro de um site de música, a respeito das festas e da noite carioca, portanto, serve como um complemento do que é lido no resto do sítio.

3.2 O individualismo nos blogs.

De um lado o blogueiro escreve e monta o layout do blog do seu jeito. O blog Moda pra Ler
[7] e o Oficina de Estilo[8] por exemplo são dos poucos blogs do tipo informativo, que se mantêm na ativa. Em ambos os casos, além da informação acerca da moda, o(s)autor/autores inserem um pouco da sua opinião, deixando o tema mais individualizado.
Nesse sentido, de individualização, o blog Com que roupa
[9] não se pretende informativo e sim, opinativo, misturando as experiências pessoais do blogueiro com a análise da moda de forma criativa. Na verdade a moda serve com um leit-motif para que o blogueiro exponha suas idéias e opiniões sobre o que lhe cerca e sobre o seu próprio eu[10].
Vejamos um post do dia 24 de março de 2006 por exemplo:
Moda, para mim, é assunto sério, ainda que muito divertido e prazeroso. Exige estudo, observação, atualização. Como em tudo que eu faço, me cobro também nesse campo um grau de comprometimento e dedicação satisfatório – nos meus próprios padrões.(Lutti,2006)

O blogueiro também coloca-se à disposição, em vários momentos para que as leitoras sejam atendidas em seus pedidos a respeito de dicas de moda, como podemos ver em outra parte do mesmo post.

E recebi um pedido de ajuda sobre moda universitária.Já em adiantados idos de março, os jovens calouros ainda não estão certos sobre o que vestir no ambiente universitário.Já vou avisando que é difícil escrever um texto genérico sobre a questão. Cada curso tem sua própria linguagem e a codificação estética é diferente. (Lutti, 2006)

Um outro blog de moda que poderíamos categorizar como misto, pois mistura uma parte mais informativa com pitadas de crítica, dicas e opiniões pessoais é o Fashion Bubbles
[11] (escrito por uma estilista e dois de seus amigos). Vemos aqui um exemplo dessa mistura em um dos posts mais recentes de março: “A Naomi não precisava usar um boné escrito “Brasil”, justo quando foi depor no processo de agressão à sua faxineira… Assim o Lula não deixa mais ela entrar no país!” (Fashion Bubbles, 2006)Percebemos uma mistura entre o blog informativo (a informação é que a modelo Naomi Campbell depõe em caso de agressão) com uma crítica tanto do acessório escolhido (do domínio da moda) quando da atitude da modelo.
Dessa forma, pudemos observar que a individualidade nos blogs de moda, assim como na própria moda em si é muito importante e, provavelmente, seja um dos fatores de sobrevivência do blog em meio à blogosfera.

3.3 A multiplicidade dos blogs

É impressionante a quantidade de blogs de moda, em breve pesquisa realizado no Uol Blog, no Google Blogs e no Bloggers. Encotramos os seguintes números: disponível em 18/03/2006
UOL Blog
No mundo: total de 303.673 blogs
No Uol: total de 91.728
No Brasil: total de 55.524 blogs
No google disponíveis na web: total de 13.700.000 blogs
No Blog google: total de 17.564
No Bloggers: total de 196.276

Uma busca na Web com os populares mecanismos de busca (search engine) , como o Google, AltaVista, Allthe web e outros, terá como resposta endereços de milhões de páginas (materializando a sobrecarga), de documentos muitas vezes difícieis de contextualizar (materializando a fragmentação), em vários idiomas (materializando a globalização. (Yamaoka, 2005, p. 146)
Essa multiplicidade de blogs que chega a 27,3 milhões, de acordo com os dados mais recentes (publicados na Folha de São Paulo do dia 07 de fevereiro de 2006) pode ser associada com a própria multiplicidade da moda, afinal os blogs não estão apenas em seu formato per se, eles são comentados pelos jornais, são atualizados via celular, comunidades são criadas no orkut para discutí-los, são citados em listas de discussões e até mesmo em trabalhos acadêmicos como esse, portanto sua sobrevida ultrapassa as fronteiras da Web e, assim como a moda, atinge cada vez mais a um maior número de pessoas.
4 Considerações Finais
Através desse artigo procuramos apresentar algumas conexões entre alguns conceitos relativos à moda, em especial a efemeridade, o individualismo e a multiplicidade e mostrar a sua relação com o fenômeno internético dos blogs, a partir de sua segmentação nos blogs de moda e uma possível tipologia (em blogs informativos, opinativos e mistos). Apresentamos apenas alguns pontos a serem discutidos, mas muitos outros devem surgir a partir desse primeiro levantamento, principalmente se levarmos em conta o grande número de blogs de moda abandonados, fato que nos levou a pensar que a aparente superficialidade do mundo da moda ganha um forte contraponto, pois no fundo das aparências, blogs e moda formam uma relação bem mais complexa. Ambos ainda estão “alinhavados” no grande tecido formado pela Web.

Bibliografia:

ARAUJO, Artur Vasconcellos – A notícia que é notícia: o blog jornalístico – disponível em

http://www.pucsp.br/pos/cos/cps/arquivo/arqs/PDF/colo2004/Ar_Vas.pdf, acessado em 13/03/2006

BarnarD, Malcon. Moda e Comunicação. Rocco, Rio de Janeiro:2003

Carli, Ana Mery Sehbe De. O Sensacional da moda. Educs, Porto Alegre: 2002

DOMINGUES, Diana – Criação e interatividade na ciberarte, São Paulo, 2002, Experimento

Lipovetsky, Gilles. Império do Efêmero. A moda e seu destino nas sociedades
modernas. Companhia das Letras, São Paulo: 2002.

Garcia, Carol; Miranda, Ana Paula. Moda é Comunicação. Experiências, memórias e vínculos. Anhembi Morumbi, São Paulo:2005

LEMOS, André – A arte da vida: diários pessoais e webcams na Internet – XXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Salvador/BA – 1 a 5 de setembro de 2002

Lurie, Alison. A linguagem das roupas. Artemídia Rocco, Rio de Janeiro: 1997

MARTHE, Marcelo – Revista Veja número 1907, 1ºde Julho de 2005

Mesquita, Cristiane. Moda Contemporânea. Quatro ou cinco reflexões possíveis. Anhembi Morumbi, São Paulo: 2004.
QUADROS, Claudia Irene de, ROSA, Ana Paula da e VIEIRA, Josiany – Blogs e as transformações no Jornalismo – Revista E-compós, Salvador, 2005,v. 3, n. 1, p.1 - 21, 2005.
RECUERO, Raquel da Cunha – Warblogs: Os blogs, a guerra no Iraque e o jornalismo online - XXVI Congresso Anual em Ciências da Comunicação, Belo Horizonte/MG, 02 a 06 de setembro de 2003

SIBLIA, Paula – A intimidade escancarada na Rede: blogs e webcams subvertem a oposição público/privado – visto em 24/10/2005 e acessado em
http://www.intercom.org.br/papers/congresso2003/pdf/2003_NP08_sibilia.pdf
YAMAOKA, Eloi Juniti. O uso da internet. In: DUARTE, Jorge, BARROS, Antonio (orgs.). Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação.São Paulo, Atlas, 2005.

Sites:
http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page

Trabalho apresentado no VII Simpósio da Pesquisa e Comunicação Intercom SUL de 04 a 6 de maio de 2006. Trabalho apresentado no GT 6 Tecnologia e Comunicação. Página 103.Trabalho apresentado ao GT 06 – Comunicação e Tecnologia da Informação.
Adriana Amaral – Doutora em Comunicação Social pela PUCRS com Estágio de Doutorado pelo Boston College (CNPq), Professora e Pesquisadora do Mestrado em Comunicação e Linguagens da UTP (PR), Consultora Ad Hoc do CNPq, Jornalista da área cultural. Email:
adriana.amaral@utp.br.
Aletéia Ferreira – Mestranda em Comunicação e Linguagens na UTP (PR). Especialista em Gestão Estratégica de Marketing pela UFMG e graduada em Administração. Pesquisa sobre comunicação, moda e cibercultura. Integrante do Grupo de Pesquisa Cibercultura UTP (PR). E-mail:
aleteia_ferreira@hotmail.comJosiany Vieira – Jornalista e Mestranda em Comunicação e Linguagens na UTP (PR). Sua pesquisa versa sobre os blogs e as transformações do jornalismo. Integrante do grupo de pesquisa Cibercultura da UTP (PR. E-mail: josianyvieira@yahoo.com.br


[1] Carol Garcia e Ana Paula de Miranda. Moda é Comunicação. Experiências, memórias e vínculos. Anhembi Morumbi, São Paulo:2005
[2] Alison Lurie. A linguagem das roupas. Artemídia Rocco, Rio de Janeiro: 1997
[3]http://blog.uol.com.br/
[4]http://modatotal.com.br.zip.net/
[5]http://www.jornalismodemoda.blogger.com.br/
[6]http://www.cenacarioca.com.br/modascopio/
[7]http://www.modapraler.blogspot.com/
[8]http://www.oficinadeestilo.com.br/blog/
[9]http://www.comqueroupa.blogspot.com/
[10]“Os novos mecanismos de construção e consumo identitário encenam uma espetacularização do eu que visa ao reconhecimento nos olhos do outro e, sobre tudo, ao cobiçado fato de ‛ser visto′ ”. (Sibilia, 2003).
[11]http://fashionbubbles.wordpress.com/

é isso... bjs e até mais Ale

Um comentário:

Janaína Souza disse...

Aletéiaaaaaaa, sou jornalista da revista Profashional e amei reproduzir o seu trabalho. Li com muito carinho e parabéns, pois está ótimo!!!
Bjocas,
Janaína
Profashional