sábado, maio 24

X-GIRLS


Achei esse artigo bem legal .
Mas quem é essa X-girl?
A X-Girl, uma mulher independente, mas dependente ao mesmo tempo, certa e confusa, e, sobretudo de carne e osso. Assim, ela é a “extreme-girl” sempre está ao extremo e ao mesmo tempo também lembra uma “X-men” (como um mutante, alguém especial que se sente diferente perante o mundo e tem que se adaptar e viver em harmonia com seus seres).

Uma mulher de vinte a trinta anos (principalmente e não necessariamente), ainda dependente de seus pais (nesse caso 90% são solteiras) e/ou marido.
A X-Girl freqüenta faculdades, cursos de pós-graduação, faz estágio ou já trabalha e atua em atividades complementares. Dessa maneira, como ainda não tem obrigação com despesas como: água, luz, comida; direciona seus ganhos (provenientes de mesada, salário) para o consumo pessoal.

As X-Girls usam seus cartões de crédito para pagar a maioria de suas despesas, andam com seus carros de casa para o trabalho, do trabalho para um barzinho ou balada e assim transparecem sua “independência” moderna, mais de atitude do que de capital.
Para muitas mulheres esta fase é encarada como a fase da auto-afirmação e busca da liberdade (em geral mais financeira do que emocional). Essa atitude, que é um reflexo da vida atual com resquícios do movimento feminista da década de 60, acaba por afastar a idéia da estrutura da família. O ideal de mulher atribuído aos princípios do “American way of life", difundidas em grande parte do mundo também começam a ser questionadas.
O sentimento de individualismo, que começou a surgir nas últimas décadas e já arraigado na sociedade atual, influencia a maneira como essas mulheres agem.
Porém, ainda lembrando a história do mutante (que passa essa idéia do ser único, especial e também solitário, assim como é retratado no desenho e nos filmes X-men).
Pode-se observar em músicas também em português, como Mutante (Rita Lee). A música diz: “Como um mutante, no fundo sempre sozinho, seguindo o meu caminho, ai de mim que sou assim, romântica...”.

A música pode ser interpretada também como um ser em conflito, o mesmo vivido pela X-girl. Uma pessoa inserida em um mundo com regras, e que agora aspira por outros ideais e busca e foca o sentimento, o “emotional”.
No mundo das X-Girls, um fator importante é o que é chamado de “adolescência tardia”, que aflige tanto homens quanto mulheres da faixa etária, e, é atribuída a proteção dos pais. Estes vieram de uma criação mais rígida, em que o trabalho começava ostensivamente desde cedo e que por tanto desejam poupar seus filhos. Assim, para estas jovens mulheres, as responsabilidades com a casa, família, contas, trabalho são adiadas e é neste ponto que o consumo pessoal cresce.

Estudos recentes (fonte: IBGE) estão analisando outro lado deste assunto. Estes estudos apontam o aumento de filhos adultos que mesmo encaminhados na vida permanecem morando na casa dos pais em busca de conforto e companhia, além de ser uma forma de poupar seus gastos e direcioná-los para a satisfação de seus desejos pessoais.
Isso tudo só ocorre porque a liberdade (cabe ao indivíduo decidir o que é melhor para si, tendo como base o seu desejo e não mais as regras da sociedade como parâmetro indiscutível) é maior na sociedade atual, os limites e valores ampliam-se e modificam-se em prol do bem-estar do indivíduo.

É neste universo que se encaixam as X-Girls. Mesmo buscando a independência financeira, ainda dependem dos pais e/ou marido e em geral não só financeiramente, mas emocionalmente.
Além disso, elas foram criadas para seguir os padrões de família e sociedade de seus pais, que envolve o casamento. Mas o avanço social, assim como tecnológico, foi muito rápido, o que ocasionou a ruptura de muitos padrões e desnorteou os valores adquiridos anteriormente.
Os relacionamentos tornaram-se superficiais no mundo das X-girls. Não existe mais a oportunidade de conhecer e aceitar o outro. Na cultura do indivíduo “o que não me serve eu descarto”, e, assim ocorre com as pessoas com quem as X-girls se relacionam.

A cultura hedonista e o “carpe diem” valorizaram a era das incertezas e dos riscos, e deixam seus resquícios de diversas maneiras. Os ideais se invertem e a X-girl busca o resgate do respeito aos relacionamentos e valores como a família e a importância do outro na vida. As X-girls consideram que os homens não dão mais valor a relacionamentos (como o casamento), ou melhor, dão valor a falta de comprometimento e a liberdade do descarte. Por que se comprometer se há uma valorização do livre para escolher, do trocar e da satisfação instantânea?
Assim, o desejo por um relacionamento estável (que se diz ser natural do ser feminino) é abalado e surge a necessidade de se adaptar. Soma-se a isso, o ideal estético de que a mulher tem que se apresentar como a mais bonita, a mais inteligente, legal, esperta, tendo que ter estilo próprio. No meio de uma guerra de informações de conceitos a serem seguidos, as X-Girls tem que se mesclar à massa e ainda serem autênticas.

A idéia da “liberdade” é agradável, dando a ilusão da escolha. Mas é natural da X-Girl buscar por uma identidade, algo mais profundo, o superficial não serve mais, ela precisa de atenção, pois sempre teve muita atenção familiar.
Assim começa a busca por este ideal construído, e na procura de um relacionamento estável surgem as idéia do “amigo sexual” do “ficar” sem relacionamento. O que é o reflexo contrário do que se buscava. Isso ocorre por carência afetiva, e pela pressão de se adaptar ao tempo. Há então uma saturação desse ideal e a busca por possibilidades mais profundas.
O problema aparece não só no relacionamento, mas no trabalho com a falta de estabilidade dos empregos e carreiras que constroem um cenário de incerteza em uma realidade cada vem mais competitiva. Com isso, no trabalho a X-Girl tem que demonstrar segurança, atitude, agressividade e competência; o que vai contra o ideal de mulher dócil construída no imaginário masculino.
A maneira de vestir influencia o conceito que os homens irão formar sobre a mulher e “para quê ela serve”.

Vestir-se de uma maneira considerada “vulgar” chama a atenção masculina para um relacionamento superficial. Assim, a moda e o vestir-se pode contribuir para os dilemas da X-girl.
A conhecida mulher dócil de antigamente não existe mais, e, assim como a agressiva e super independente dos anos 60 até 90, colabora na busca por nova identidade dessa mulher. Dessa maneira começa uma mutação, surge um ser chamado X-girl, que mescla esses conceitos e ideais com valores individuais e com percepção de mundo pessoal a partir de outro tempo.

Por Raquel Dolzan
raqueldolzan@gmail.com
Bjocas e até mais, Ale

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